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Declaração de Lula sobre o aborto e as eleições 2022

Declaração de Lula sobre o aborto e as eleições 2022

O aborto, um dos temas mais delicados que permeiam o debate social, representa uma das pautas de maior utilização por parte da direita para tentar encurralar e conduzir a esquerda a um processo no qual possa ser vinculada à marca de destruidora dos valores da família, da religião e dos costumes.

Por Ricardo Guerra

O aborto, um dos temas mais delicados que permeiam o debate social, representa uma das pautas de maior utilização por parte da direita para tentar encurralar e conduzir a esquerda a um processo no qual possa ser vinculada à marca de destruidora dos valores da família, da religião e dos costumes.

Um clássico exemplo de como o divisionismo é fomentado entre as massas oprimidas, pulverizando e desviando o foco do debate das questões nacionais, políticas e sociais relacionadas à luta dos trabalhadores e ao enfrentamento ao ataque do imperialismo contra a soberania do nosso país.

Nos últimos dias, o tema do aborto voltou à agenda pública em razão de uma declaração do ex-presidente e possível candidato à presidência do Brasil – Luiz Inácio da Silva, que afirmou:

“… se eleito, o aborto será tratado como política de saúde…sou contra, mas cabe ao Estado dar um tratamento digno a essa questão“.

O debate sobre aborto envolve questões éticas, médicas, legais e religiosas, e abrange, entre outros, aspectos psicológicos, sociológicos, filosóficos e políticos,  tornando difícil o estabelecimento de consenso sobre o assunto.

Sem ter a pretensão de abordar ou aprofundar esse debate, tampouco de produzir argumentos em busca da formação de algum tipo de consenso, queremos refletir sobre as possíveis repercussões no processo eleitoral da declaração feita por Lula.

Para alguns, Lula deu um tiro no pé, considerando-se a declaração feita completamente fora da realidade do Brasil, um país tido como de costumes conservadores – no qual a hipocrisia campeia:

  • Sob esta perspectiva, a declaração serviria apenas de material para alimentar os que querem criar uma situação para o avanço dos ataques do Imperialismo contra o Brasil;
  • O bolsonarismo e, a sua outra face, os interlocutores da denominada terceira via.

Tal pensamento não pode ser considerado fora de propósito, afinal de contas, polarizar e dividir é uma das formas mais eficientes e fáceis de ser utilizada pela direita para obter e exercer o controle total da sociedade, anulando assim qualquer possibilidade de resistência popular:

  • Resta então saber se Lula fez isso por ingenuidade (um argumento que nos parece completamente fora de propósito);
  • Se agiu coagido, por estar (ele, familiares, ou pessoas de seu círculo mais próximo) preso em dossiês ou algo equivalente;
  • Ou ainda, se está submetido a algum acordo com o imperialismo para o qual está se apresentando como fiel representante do partido democrata estadunidense por aqui?

Por outro lado, há os que acreditam (ou pelo menos dizem acreditar) que Lula trouxe à pauta o tema vislumbrando possíveis ganhos políticos e eleitorais para o campo popular, visto que:

  • Como o aborto costuma ser um grande trunfo de manipulação do eleitorado para o campo reacionário, Lula, ao pautar esse debate meses antes do processo eleitoral, teria feito uma importante jogada política;
  • Trazendo a questão de forma antecipada, ele estaria retirando da direita a vantagem nos encaminhamentos das discussões – não deixando-se pautar pelos adversários.

Quanto a essa linha de pensamento, nos intriga o fato de Lula jamais ter se pronunciado dessa forma sobre a questão do aborto, nem mesmo quando tinha mais de 80% de aprovação popular e uma bancada no congresso que lhe era majoritariamente favorável.

Será que Lula se deixou manipular, permitindo que a direita transforme o debate eleitoral – este importante espaço para a promoção de reflexão sobre as formas de opressão na sociedade – num astucioso engodo utilizado para afastar as discussões de outras importantes questões relacionadas à causa dos trabalhadores e à luta anti-imperialista e pela soberania nacional?

Estaria ele de rabo preso ou submetido a algum acordo, chantageado ou cooptado para fazer um governo consentido pelo império, uma espécie de partido democrata tupiniquim – como um partido de direita falseadamente caracterizado como de “esquerda”?

Ou será que (ousadamente) está tentando estabelecer posições no sentido de impulsionar a recondução de uma representação do trabalhismo de volta ao poder, com energias canalizadas para a luta pela criação de oportunidades para o pleno exercício da cidadania e a melhoria da qualidade de vida de toda a população?

Isso só o tempo poderá nos dizer.

Mas, ao que tudo indica, mais uma vez é o imperialismo (ver aqui, aqui, aqui e aqui) que tem todo o controle desse processo e, na verdade, o bolsonarismo e a chamada terceira via (o bolsonarismo moderado ou o bolsonarismo sem Bolsonaro) é que saem cada vez mais fortalecidos com situações como esta:

  • Se não continuarem no comando do Governo Federal;
  • Majoritariamente vão ocupar o poder nos principais governos estaduais e municipais, assim como nas bancadas dos parlamentos locais e central.

Somando-se aí:

As forças verdadeiramente de esquerda, ligadas à luta dos trabalhadores e aos movimentos e à militância anti-imperialista, assim como aquelas relacionadas ao pensamento nacional desenvolvimentista e ao trabalhismo:

  • Precisam somar esforços para agir contra a maior e mais vergonhosa destruição da soberania e do patrimônio nacional já vista na história do país e da América Latina – pois essa é a política do imperialismo norte-americano para toda a região;
  • Definir critérios, estratégias e ações de luta (ver aqui, aqui e aqui) em busca de uma base comum para a construção de um projeto soberano de desenvolvimento nacional popular;
  • Cujo foco principal é nos libertar das vorazes garras do imperialismo e criar as condições para satisfazer as necessidades e os interesses da ampla maioria da nossa população, não apenas de uma minoritária casta de vassalos entreguistas.

Combater o imperialismo sem confrontar a burguesia interna é uma tarefa completamente inócua e sem perspectiva prática alguma de possibilidade de avanços: a hora de lutar é agora! Levante, organize-se e lute!

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