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Os movimentos da burguesia internacional e a possibilidade (?) de Lula vencer as eleições

Os movimentos da burguesia internacional e a possibilidade (?) de Lula vencer as eleições

Por Ricardo Guerra

A crise do sistema capitalista vem se aprofundando ainda mais por causa da guerra (EUA/OTAN/Ucrânia x Rússia) – provocando sérios impactos por todo o mundo:

Assim, a carestia, a inflação, o desemprego e o subemprego (além de outras mazelas sociais) estão se agravando – e o orçamento das famílias está sendo completamente corroído pela alta generalizada dos preços na região.

Nesse cenário, a tendência das massas é reagir e o imperialismo (como sempre) não ficará paralisado.

Por um lado, em busca de arrefecer os ânimos dos trabalhadores:

Por outro lado, com o objetivo de mascarar toda essa situação:

  • Vai investir na criação de mecanismos para a configuração de um ambiente aparentemente “suavizado” – que lhe seja favorável para dar continuidade à total destruição da soberania das nações subjugadas aos seus interesses;
  • E, assim, garantir o avanço da imposição da agenda neoliberal e a validação e ampliação de todas as manobras entreguistas implementadas em seu favor.

Dessa forma, o que até pouco tempo demonstrava ser apenas uma possibilidade no ambiente de configuração do processo eleitoral do Brasil:

  • Agora, com essa matéria com Lula na revista Time (com direito até a foto na capa);
  • E, também, com a recente visita do chefe da CIA “pressionando” Bolsonaro para não mais criticar o sistema eleitoral brasileiro;
  • Parece (?) que o imperialismo escancarou de vez sua decisão de “permitir” que a burguesia local faça a substituição de Bolsonaro por Lula.

O fato é que, apesar de até ter se esforçado, Bolsonaro não conseguiu contemplar a política prescrita pela burguesia internacional de entregar completamente o Brasil para os grandes monopólios financeiros transnacionais:

  • Além disso, como a sua grosseira personalidade e a sua tosca imagem parecem não estar mais “colando” na sociedade brasileira;
  • E o bolsonarismo, que precisamente apenas representa o caminho do atraso (da falta de empregos, da negação da vida e da exaltação da morte), não consegue mais arregimentar novos adeptos e tampouco alavancar as mobilizações de outrora;
  • A possibilidade de substituir Bolsonaro por Lula (para a representação dos interesses imperialistas no Brasil) parece que virou uma realidade.

No entanto, para garantir que não haja qualquer risco dessa “manobra” dar errado, todo um cenário está sendo montado no sentido de empurrar Lula cada vez mais para a direita e lhe deixar (no mínimo) pressionado para atender os interesses do grande capital, em detrimento dos soberanos interesses do Brasil e das reais necessidades do povo brasileiro:

  • A composição de chapa com Alckmin, um político conservador que nunca devotou respeitou pela luta dos trabalhadores e sempre defendeu as privatizações em seu governo;
  • A imprensa pautando suas falas, imputando “erros” a qualquer posição que contrarie aos denominados interesses do “mercado”, e até dando “conselhos” de como ele deve se portar e o que deve falar (ver também aqui);
  • Aliados a uma conjuntura política totalmente organizada para favorecer a composição parlamentar, majoritariamente formada por representantes da direita e da extrema direita – caracteriza muito bem tudo isso que está acontecendo.

A própria ausência de um posicionamento claro por parte de Lula quanto ao direcionamento que vai ser dado a política econômica em seu governo, revela uma incerteza e ao mesmo tempo um indicativo de que ele possa estar ficando completamente encurralado.

A política de vencer as eleições a qualquer custo tem levado a isso:

  • Ao ponto de lideranças do PT e do PSB estarem afirmando que Alckmin não deve se posicionar ideologicamente mais à esquerda;
  • Ao contrário, esperam que ele mantenha-se à direita, alegando “o objetivo” de atrair o voto do agronegócio, dos religiosos e outros setores reacionários” – “o plano de governo da chapa Lula-Alckmin, não pode ter um programa de esquerda“, afirmou recentemente o presidente do PSB.

Portanto, mesmo que Lula incisivamente consiga apresentar propostas minimamente plausíveis e pontos definitivamente favoráveis ao campo de luta popular e anti-imperialista: como podemos acreditar na real possibilidade de sua representação enquanto governo trabalhista, se encontra-se “emparedado” entre direitistas e desavergonhados entreguistas – completamente servis ao imperialismo?

A política do imperialismo na América Latina é repleta de exemplos de como (legítimas ou supostas) representações de esquerda são usadas para encobrir o massacre contra os trabalhadores e o saque contra o patrimônio público, financeiro e estatal na região:

Para a massa de trabalhadores, de nada valerá Lula ganhar a eleição se ele se deixar encurralar pelo inimigo e permitir que as manobras imperialistas possam determinar a condução do seu governo: do contrário, a quem interessa essa vitória?

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1 comentario en «Os movimentos da burguesia internacional e a possibilidade (?) de Lula vencer as eleições»

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