Bolsonaristas tomam Brasília. A quem beneficia?

Bolsonaristas tomam Brasília. A quem beneficia?

Bolsonaristas tomam Brasília. A quem beneficia?

No domingo 8 de janeiro de 2023, dezenas de milhares de bolsonaristas tomaram Brasília, ocuparam o Congresso Nacional, o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Palácio do Planalto.

A repercussão no Brasil e internacional foi enorme.

As comparações com a invasão ao Capitólio, que aconteceu no final do governo Trump, foi a tônica dominante.

A um certo estupor por causa da facilidade com que os manifestantes tomaram os prédios públicos, se somou a campanha da imprensa golpista que os qualificou como atos terroristas ou como tentativa de um golpe de estado nos moldes do Euromaidan, em referência à Ucrânia em 2014.

A Guarda Nacional não demorou em retomar o controle dos prédios.

As prisões se sucederam.

Os bodes expiatórios apareceram.

O Secretário da Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, que é um bolsonarista, foi demitido pelo governador Ibaneis Rocha (MDB).

O novo ministro da Defesa de Lula, José Múcio, ele mesmo um bolsonarista enrustido, foi acusado de ter permitido esses atos que eles os chamou “atos democráticos” ao invés de tê-los desmantelado desde o início deste mês, quando tomou posse o novo governo.

As estrelas da luta contra os “golpistas bolsonaristas” foram o ministro da Justiça de Lula, Flávio Dino, e o próprio Lula.

Lula decretou a intervenção federal na segurança do Distrito Federal até o dia 31 de janeiro.

Dino promoveu prisões em massa, cujo número beira os 500. Mais de 40 ônibus foram apreendidos.

Nos Estados Unidos, alguns deputados Democratas pediram que Jair Bolsonaro, que se encontra na Flórida, na mansão de Donald Trump, seja extraditado ao Brasil, apesar dele ter se distanciado da intervenção política brasileira, sob ameaça de prisão pelo STF.

Vários governadores importantes, que têm vínculos com Bolsonaro, se distanciaram e se aproximaram do governo Lula. São os casos dos governadores dos três principais estados da Federação: Claudio Castro (Rio de Janeiro), Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Zema (Minas Gerais).

Quem se beneficia?

O grande beneficiário destes atos é o novo governo Lula/ Alckmin.

As ações dos bolsonaristas têm sido condenadas pela propaganda burguesa como atos terroristas.

A essa propaganda se submeteu todo o regime político oficial.

A vitória arrasadora do bolsonarismo na primeira volta das eleições nacionais de outubro foi controlada.

O movimento bolsonarista nas ruas, que atua como um proto-fascismo, com esta ação ficará controlado. Mas, da mesma maneira que acontece com o trumpismo nos Estados Unidos, esses movimentos fascistas poderão ser usados novamente pela burguesia no futuro, tal como já os têm usado desde 2013.

O fascismo nas suas várias variantes é um movimento que tem a sua base social principalmente em setores da pequeno-burguesia e que é impulsionado pela grande burguesia no fundamental, a partir de setores da forças armadas, da burocracia estatal, da grande imprensa e dos setores empresariais. O problema é mantê-lo sob controle uma vez que cumpriu os seus objetivos.

Neste momento, no Brasil, o principal instrumento de controle da situação político pelo imperialismo norte-americano é o governo Lula/ Alckmin que foi imposto por meio de uma intensa campanha pelos mesmos setores que impuseram o bolsonarismo em 2018.

O novo governo faz parte da política do governo Biden para a América Latina de impor governos esquerdistas, mas muito direitizados, com o objetivo de aliviar a pressão social que aconteceu a partir dos governos direitistas anteriores.

O controle do bolsonarismo deixa a situação política mais favorável para a atuação imediata do governo Lula/ Alckmin. Mas o impacto do aprofundamento da crise capitalista mundial sobre a América Latina impõe o repasse de um peso maior da crise sobre os trabalhadores e as massas.

A política de panos quentes do novo governo pode conter parcialmente as tensões sociais. Mas a tendência é à aparição de choques sociais cada vez mais intensos.

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1 comentario en «Bolsonaristas tomam Brasília. A quem beneficia?»

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