O papel dos Revolucionários diante do atual cenário de Guerra e Assédio do imperialismo

O papel dos Revolucionários diante do atual cenário de Guerra e Assédio do imperialismo

Crise econômica, guerra e pandemias. O que deve fazer um revolucionário no atual cenário?

Matéria de Jornal Aurora Popular

A idéia da possibilidade da construção de um “mundo multipolar” é mais que uma ilusão. É uma mentira.

O que acontece hoje é que as potências “emergentes”, aquelas oprimidas pelas potências imperialistas, criaram a política da multipolaridade como força para enfrentar o imperialismo.

Obviamente esse enfrentamento só pode ser parcial, porque as classes dominantes das potências emergentes não buscam destruir o capitalismo.

Por essa razão, a dinâmica das disputas intra-burguesas só pode levar, na atual etapa, as forças emergentes a se transformarem nas futuras potências imperialistas, caso consigam derrotar as atuais.

[A principal candidata nessa disputa é a China. Não por acaso, o governo dos Estados Unidos a qualificou como o grande inimigo histórico.]

Numa sociedade dividida em classes, entre dominantes e dominados, nunca haverá espaço para duas vozes, dois corpos, dois regimes, dois países ou dois blocos econômicos em pé de igualdade.

Sociedade dividida em classe é sinônimo de luta pelo poder. Aos que já detêm o controle, a luta é pela manutenção da ordem. Aos que são controlados pelo poder, a luta é pela destruição do estabelecido.

Dito isso, no capitalismo não há espaço para multipolaridade. A luta pelo poder, e fundamentalmente pelo controle do mercado mundial, é só uma: de um lado, os que buscam elevar constantemente seus lucros e de outro, os que lutam por melhores condições de vida.

Se trata de uma luta de vida ou morte, muito longe do que alguns alucinados apresentam com um “imperialismo humanizado”.

Alimentar e promover a ideia de um mundo ou ordem multipolar no seio da classe trabalhadora é cumprir um papel extremamente reacionário. As condições subjetivas dos trabalhadores devem ser educadas para o assalto do poder, não à sua manutenção.

No contexto de luta é preciso deixar claro que as tarefas democráticas pendentes, como a luta pela independência nacional e a revolução agrária nos países periféricos, devem ser levadas a cabo pelos revolucionários.

Quem defende a construção de uma ordem multipolar nada mais faz do que ajudar o modo de produção capitalista a resolver suas crises orgânicas irresolúveis. O capitalismo é um modo de produção extremamente concentrador, eliminando todos os dias e horas as diferenças mais sutis entre os diversos elementos que compõem a sociedade.

Não se trata de algo que alguém seja capaz de controlar. São as próprias leis internas do capitalismo em ação que o regulam. Tais como: a busca pelo maior lucro; a reprodução ampliada do capital, o aumento da composição orgânica do capital, entre outras.

Por ser um modo de produção extremamente concentrador, ele também é um modo de produção profundamente bélico e coercitivo. Desejar a queda do imperialismo sem desejar a queda de todo o modo de produção capitalista é atuar a favor da ordem estabelecida, não contra.

Não dá para derrotar uma hidra de muitas cabeças cortando apenas uma delas. A queda do imperialismo arrastará todo modo de produção para uma vasta destruição, nosso papel diante de tal cenário não é buscar soluções para reerguê-lo em torno de uma agenda mais humanizada, senão enterrá-lo.

Capitalismo humanizado não EXISTE!

O imperialismo é a fase superior do capitalismo, ou seja, a fase madura e reacionária, de profunda barbárie contra os povos e as massas populares, que conforme disse Vladimir Ilich Lenin, é a etapa superior e última do capitalismo. É uma etapa de guerras e revoluções.

Não é preciso ser agricultor para determinar o próximo estágio de um fruto que já se encontra maduro, a próxima etapa sempre será o seu apodrecimento e queda!

A partir das sementes do fruto apodrecido que caem em terra, nós, os revolucionários, devemos nos preparar para erguer um novo modo de produção.

Por isso a propaganda da “esquerda” oficial de que deveríamos aguardar para avaliar o governo Lula/ALCKMIN é profundamente reacionária.

De fato se trata de uma “esquerda” controlada pelo Partido Democrata norte-americano. Da mesma maneira que a direita se divide entre o Partido Republicano e o Democrata. É a política hiper agressiva do imperialismo decadente do controle do espectro total.

Dito por outras palavras, a partir da queda do capitalismo em sua fase imperialista, devemos atuar para a construção do Socialismo. Devemos nos aproveitar de todo o desenvolvimento das forças produtivas já alcançadas, pois tal desenvolvimento foi à custa de muito sangue, para colocar em pé uma sociedade baseada não mais na troca de mercadorias, senão no livre desenvolvimento do gênero humano.

Porém, entre uma coisa e outra, a queda do capitalismo e a construção do Socialismo, existe o meio, quer dizer, um caminho a seguir. É durante este trajeto que temos que fortalecer nossos mecanismos objetivos e subjetivos de luta e resistência.

A história não dá saltos. Ela segue seu curso dialético.

Assim sendo, a transição de um modo de produção a outro não se dará sem luta, organização, força e sangue. É por essas e outras que devemos nos esforçar para educar as massas populares e os trabalhadores para a conquista do poder, não para a manutenção dos já estabelecidos.

Contudo, para não queimarmos etapas, temos que ter bem claro quem são os nossos reais e mais fortes inimigos. Não há dúvida que o imperialismo é o maior deles, todavia, não podemos incorrer no erro de lutar pela destruição de um inimigo enquanto fortalecemos outros.

Devemos destruir todos!

Essa grande tarefa histórica não pode ser dirigida por heroísmos românticos nem vulgares. É preciso ter uma mentalidade estratégica para alcançar os resultados planejados. É preciso entender quando avançar, quando retroceder, quando se aliar e quando romper.

Nos dias que correm, seja por capitulação, traição ou demais circunstâncias, as direções sindicais e políticas estão totalmente aparelhadas pelo imperialismo e outras forças menores do Capital. Isso colocou a classe trabalhadora numa imensa desorganização política e confusão teórica, rebaixando assim o nível de consciência dos trabalhadores.

Assim sendo, nas atuais condições não temos força material para enfrentar o imperialismo de igual para igual. Sabemos por fatos concretos que a única força capaz de impor uma verdadeira derrota ao imperialismo é o internacionalismo da classe trabalhadora, no entanto, os trabalhadores nas atuais circunstâncias encontram-se totalmente desarticulados e fragmentados.

Logo, isso nos obriga a aceitar a realidade dos fatos e a começar traçar estratégias mais elevadas a partir da força material que temos. Já que o atual diagnóstico mostra que não temos forças para encarar o imperialismo de peito aberto e de frente, partamos das brechas que se abrem para nos fortalecermos.

Essa tática está a anos luz da “esquerda” integrada ao sistema que dá um cheque em branco aos agentes do imperialismo.

Com o aprofundamento da guerra do Imperialismo contra o bloco sino-russo na Ucrânia, alguns conceitos e debates, que até então eram considerados superados e ultrapassados, voltaram à ordem do dia. Um deles gira em torno do debate político sobre a questão do imperialismo.

A guerra na Ucrânia demonstrou por meio de fatos que o conceito desenvolvido por Lênin não caiu em desuso e nem perdeu sua validade, ao contrário, está mais vivo do que nunca. Isso trouxe para o debate diferentes frentes políticas, desde nacionalistas reacionários aos revolucionários, para a discussão sobre a questão do imperialismo e seus mecanismos de ingerência.

É sobre esses e outros debates que se abrem, a partir do aprofundamento das contradições do capitalismo, que temos que colocar nossa política classista em pauta. Não devemos atuar como quinta-coluna, como alguns que se dizem revolucionários. Temos que ser consequentes.

Nosso papel desde o início não é o de apoiar cegamente um dos lados em guerra, mas, como dito acima, utilizar as contradições do modo de produção capitalista para nos fortalecer enquanto classe.

Nossa atuação no tempo presente é aproveitar-se das contradições abertas pela guerra para desenvolver uma forte máquina de propaganda e agitação capaz de denunciar toda a atuação perversa do imperialismo contra os povos.

Não temos que nos deter somente na questão ucraniana, mas sim expandir nossa denúncia ao que está sendo feito na Palestina, Iêmen, Líbano, Irã, Zimbábue, Filipinas, América Latina, entre outros.

Uma coisa deve ficar clara aos revolucionários, ao denunciar os crimes do imperialismo estamos nos apoiando taticamente nos países que estão em guerra contra ele.

Por que estamos nos apoiando taticamente?

Exemplo:

A questão da guerra na Ucrânia.

Um revolucionário consequente jamais se colocará, em hipótese alguma, ao lado da OTAN/Imperialismo, contudo, ao denunciar os crimes da Organização do Tratado do Atlântico Norte o revolucionário também não pode incorrer no erro de colocar os governos de Putin, Xi Jinping, Ali Khamenei, Maduro e Miguel Díaz-Canel como solução. Por isso, que nosso apoio é tático, não estratégico.

Os apoios e alianças táticas são sempre muito concretos.

A nossa grande estratégia é a Revolução. Ela pode ser resumida em dois pontos: 1. A construção do Partido Revolucionário e; 2. A construção da Revolução Socialista, principalmente a construção da vanguarda que tem como tarefa orientar os trabalhadores e as massas, que são colocados em movimentos pelos ataques do capital. Sendo assim, o apoio tático dado à Rússia, China, Irã, Cuba, Venezuela, etc., contra o imperialismo, visa fortalecer a nossa musculatura política classista e sempre independente.

Sabemos que mais cedo ou mais tarde haverá a necessidade de mirarmos nossas baionetas para a face desses governos, pois o que desejamos é a revolução socialista e não o fortalecimento das burocracias políticas que sufocam os mecanismos políticos de participação popular.

Lembrem-se: apoio tático não é sinônimo de apoio estratégico. A confusão entre tática e estratégia é recorrente nos oportunistas e na esquerda pequeno burguesa.

Por exemplo, a nossa “esquerda” oficial adota hoje como política fundamental a luta parlamentar para obter carguinhos e regalias do sistema.

«Apoio estratégico devemos dar somente àqueles que partilham e compartilham da mesma plataforma política de luta que nós. Nossa meta final não é a construção de um mundo multipolar, senão unipolar. Isto é, a construção do Socialismo».

Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.

Rosa Luxemburgo

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