O escândalo da «mão de Deus» no V Congresso da CSP-Conlutas

O escândalo da «mão de Deus» no V Congresso da CSP-Conlutas

Um exemplo sobre como o imperialismo estende seus tentáculos sobre as organizações de trabalhadores, como parte da sua agressiva propaganda de guerra

Nem sequer a recente reunião do G20 na Índia esteve tão “ucranizada” quanto o V Congresso da CSP-Conlutas.

O eixo central do V Congresso esteve focado em apoiar a política da OTAN (Organização do Atlântico Norte) na Ucrânia e em “demonizar” os “imperialistas” russos.

Considerando a CSP-Conlutas como uma central de trabalhadores, embora que bastante burocratizada, o que vimos nesse Congresso foi uma obscena capitulação à política geral de guerra do imperialismo, que é imposta em forma de PsyOp (Operações Psicológicas militares) por meio das várias correntes de transmissão de que dispõe, principalmente a imprensa, mas evidentemente também as organizações que as potências capitalistas controlam, como este parece ser o caso (e longe de ser a exceção).

Essa capitulação à propaganda do imperialismo não é exclusividade da CSP-Conlutas, embora chame muito a atenção pela obscena capitulação, mas é a norma da chamada «esquerda» em escala mundial. 

Nesse sentido, a resolução mais importante desse V Congresso representa uma afronta gravíssima contra os trabalhadores e o povo brasileiro, assim como a todos os trabalhadores da América Latina e do mundo, principalmente porque trata-se da capitulação aberta ao principal opressor histórico dos povos latino-americanos que tem as mãos muito (muito mesmo) sujas com o nosso sangue.

E não é um problema trivial.

O que está posto é a disputa pelo controle do mercado mundial, no contexto da maior crise capitalista de todos os tempos, que já custou duas guerras mundiais que deixaram mais de 100 milhões de mortos.

As potências imperialistas dominantes atuais, a começar pelos Estados Unidos, que são os nossos principais opressores, não abrirão mão do seu controle a não ser que sejam derrotados numa guerra importante, que só pode ser mundial e nuclear, considerando que estão armados até os dentes e têm um complexo industrial militar muito mais desenvolvido, de conjunto, que o das potências regionais, mesmo estas tendo alguma que outra vantagem.

O imperialismo e o convidado estrela do V Congresso da CSP-Conlutas

O convidado estrangeiro que mais teve destaque no V Congresso da CSP-Conlutas foi o velho pelego ucraniano Yuri Samoilov, que abertamente, sem sequer ruborizar-se, defendeu cegamente o imperialismo e a OTAN (Aliança do Tratado do Atlântico Norte) sob a aclamação da esmagadora maioria do Congresso!!

O Sr. Samoilov marcou a pauta do que viria a ser prioritariamente imposto, a aprovação do apoio/ solidariedade ao governo neofascista de Kiev, que não passa de uma marionete do imperialismo norte-americano e Europeu.

A OTAN é controlada pelo imperialismo norte-americano, a maior potência imperialista mundial, que controla as principais alavancas do mercado mundial (alta tecnologia, especulação financeira, capacidade de impor sanções, a ditadura do dólar que agora começou a ser questionada, poder militar que pode ser imposto globalmente etc.), cuja propriedade é protegida por 850 bases militares, quatro milhões de funcionários para quebrar a revolução, 18 agências de espionagem.

Os Estados Unidos em aliança com os 5 Eyes (Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Inglaterra e Estados Unidos), conforme for revelado por Edward Snowden e posteriormente pelos agentes que revelaram o Programa Vault da CIA, mantêm as telecomunicações totalmente espionadas ao grau tal que impressionaria ao próprio Adolf Hitler.

A Operação Gládio, imposta pelos Estados Unidos para infiltrar todas as organizações políticas e sociais importantes em 1947, tem sido aprimorada a partir da década de 1980 e depois, a partir da crise de 2008, que acabaram destruindo todas as principais organizações de massas.

O efeito colateral tem sido o enorme enfraquecimento da contenção social das massas, que não será páreo para um grande levante de massas, que tem como combustível a crise capitalista. Isso vale também para a Conlutas.

Um “sindicalista” na CSP-Conlutas que bem poderia ser funcionário da Rede Globo

Vejam https://www.youtube.com/watch?v=3SeGpLgg5Is a partir do minuto 49:00.

Min. 54:30: Segundo o Sr. Samoilov, em 2014, 2,5 milhões de russos teriam fugido das regiões russo-falantes, para as regiões controladas pelos neofascistas, apesar da primeira medida do novo governo, encabeçado pelo oligarca Petro Poroshenko, ter sido proibir a língua russa.

Comentário: O Sr. Samoilov saiu melhor que a Rede Globo.

Em 2014, houve um golpe de estado na Ucrânia orquestrado pela atual subsecretária do Departamento de Estado, Victoria Nuland, muito conhecida na América Latina e que cumpriu um papel importante para impor a vitória eleitoral de Lula/ Alckmin.

Em 2014, ela contou com um orçamento de US$ 4 bilhões para organizar grupos nazi-fascistas (os seguidores modernos do agente de Hitler e reconhecido genocida Stepan Bandera) e assim derrubar o presidente Yanukovich.

Isso sem esquecer, dentre outros casos, os 45 russos falantes que foram queimados vivos na Casa dos Sindicatos, em Odessa, pelos mesmos grupos neofascistas que continuam ativos hoje, e a agressão em contra dos russos-ucranianos da Crimeia que se dirigiam a Kiev para protestar pacificamente e foram violentamente agredidos na metade do caminho, em Kherson.

Min. 56:00: Segundo o Sr. Samoilov, em 2014, o Exército ucraniano quase não existia. 

Comentário: Certo, mas esqueceu-se de lembrar o que François Hollande (ex primeiro ministro da França) e Angela Merkel (chanceler da Alemanha) declararam no ano passado, sobre os dois acordos de Minsk para resolver o problema da Ucrânia: foram apenas uma manobra para armar os fascistas de Kiev até os dentes e direcioná-los contra a Rússia com o objetivo de gerar uma crise e poder controlar o país dividindo-o em 20 países.

Igualzinho aos Acordos de Istambul, do ano passado, que foram implodidos diretamente após a visita do primeiro ministro britânico, Boris Johnson, a Kiev.

Min. 57:40: Segundo o Sr. Samoilov, a Rússia teria invadido a Ucrânia com a permissão do imperialismo norte-americano. 

Comentário: Na realidade, seria mais exato dizer que a Rússia foi empurrada a essa invasão, principalmente após a conferência da OTAN (Aliança do Atlântico Norte) em Bucareste, Romênia, de janeiro de 2023, e as declarações abertas de Zelensky, teleguiado pela OTAN, no sentido de que a Ucrânia seria incorporada à OTAN e que precisava urgentemente adquirir armas atômicas, sabendo que na Doutrina Militar da Federação Russa (que está escrita) isso era uma linha vermelha que impunha a invasão, pois colocava em xeque o regime estabelecido.

Além disso, houve o recrudescimento dos ataques em contra das duas repúblicas do Donbass e o plano que veio a público para retomá-las também foram detonadores da invasão.

O imperialismo precisava e continua precisando da guerra por causa disto.

Min 58:30: Segundo o Sr Samoilov, “Hoje o Exército da Ucrânia é o exército do povo armado, do povo simples”!!!!! “E se mantém com a solidariedade do povo pobre”.

Comentário: Estas afirmações do Sr. Samoilov foram das mais importantes de todo o V Congresso da Conlutas e o eixo da “campanha de solidariedade” com o governo neofascista de Kiev que tem a “mão de Deus” por detrás. 

A Rússia está numa aliança bastante contraditória não somente com a China, mas também com a Índia. São potências capitalistas regionais em desenvolvimento, a partir das próprias contradições internas, a potências imperialistas. Obviamente que são tão inimigas da revolução como toda a burguesia de conjunto, mas é a burguesia a mais agressiva de longe.

Foram os Estados Unidos os que impuseram 17.500 sanções contra a Federação Russa e não ao contrário. Contra a Coreia do Norte, há 3.000 sanções.

A China se encontra num estágio muito avançado na direção a converter-se numa potência imperialista, por causa da pressão exercida pelas contradições internas (desemprego nas cidades, alto grau de automatização, queda nas exportações etc.), mas o mercado mundial é um clube fechado

Para uma potência regional controlar partes fundamentais do mercado mundial, e converter-se em potência imperialista, precisa derrotar militarmente as potências imperialistas que o controlam hoje; e não será na lábia, como propagandeia Lula, que isso será feito.

A consideração idealista (ou seja, de marxista não tem nada) de que a China, a Rússia, ou mesmo a Índia, seriam potências imperialistas hoje ignora esse “pequeno” detalhe, cai no reformismo internacional do “mundo multipolar” e tem consequências políticas bastante graves, como o acabamos de ver no V Congresso da CSP-Conlutas. 

Min 59:30: Segundo o Sr Samoilov, “A chamada ajuda ocidental é uma operação mediática”. “Nada mais que isso”!!! 

Comentário: Esta afirmação do Sr. Samoilov, além de resultar pior que as mentiras deslavadas do Jornal Nacional da Rede Globo, é muito importante porque para os vários grupos que participam da Conlutas, assim como para a maioria da esquerda, não seria possível conhecer a realidade. 

Tudo se resumiria a uma questão de opiniões, de enunciados produzidos por «mentes brilhantes», que não deveriam nem sequer ser debatidos tomando como referência a realidade objetiva, para chegar a uma caraterização precisa da realidade objetiva.

Segundo esse agente da SBU (a KGB ucraniana) e do imperialismo, os US$ 150 bilhões oficiais e públicos entregues pelas potências imperialistas ao governo de Kiev, o apoio militar aberto da OTAN, os assessores e os mercenários, que na sua maior parte são soldados profissionais principalmente poloneses e norte-americanos, não existiriam, seriam uma ficção porque esse «super gênio» e seus patrões assim o querem. Apesar de tudo isso e muito mais ter sido reportado aberta e intensamente pela própria grande imprensa burguesa e imperialista.

A miríade de batalhões neo-fascistas, como o Batalhão Azov, que é o mais famoso deles, mas os há por dúzias, também não existiriam. Os massacres por eles cometidos contra a população civil desde 2014 (o que é até «normal» considerando que são fascistas) não importam, mas sim importam os abusos cometidos a serviço do governo russo, que sim os há, mas devem ser especificamente colocados. 

Por exemplo, os «suspeitos» assassinatos de líderes da milícias do Donbass, que não concordavam com a burocratização das milícias imposta pelo governo da Federação Russa, que misteriosamente aconteceram a partir de 2015, provavelmente executados pelo Grupo Wagner; sobre isto, os apologistas do imperialismo norte-americano da CSP-Conlutas não mencionam uma única palavra.

Min 1:00: Segundo o Sr Samoilov, “Esses imperialistas estão preocupados porque é o povo pobre que está armado e sabe usar essas armas”.

Comentário: Se dermos crédito às baboseiras do Sr. Samoilov, a OTAN não existe, nem o imperialismo, nem visitas quase semanais de figurões dos países imperialistas a Kiev, nem montanhas de dinheiro imperialista, nem batalhões fascistas, nem uma brutal ditadura que proibiu 15 partidos políticos, nem corte marcial, nem prisões por anos a fio simplesmente por curtir uma publicação nas redes sociais; nem nada. 

Na Ucrânia, haveria já, segundo este alucinado a soldo da «mão de Deus», algo parecido com a “ditadura do proletariado”. 

Alguém em sã consciência poderia sequer levar a sério tamanha alucinação? 

Sim! Esse alguém foi o V Congresso da CSP-Conlutas.

As barbaridades ditas pelo Sr. Samoilov, foram levadas muito a sério!! Ver o Min 1:05.

A razão para alguém em sã consciência ser capaz de levar a sério tamanhas barbaridades só pode explicar-se por muita ignorância ou por outro$$ incentivo$$; a segunda motivação faz muito mais sentido. 

Considerando a gravidade da política defendida abertamente, parece ser fato que os pelegos estrangeiros e também os nossos pelegos domésticos mantêm ligações com o imperialismo, seja por meio de ONGs ou diretamente, por meio de uma série de conexões. Objetivamente, fazem parte da campanha propagandística, como componente da PsyOp (Operações Psicológicas) da própria guerra, que os dois lados fazem, mas na América Latina, o quintal traseiro dos Estados Unidos, a imprensa burguesa controlada por eles é o que de muito longe domina todo o espectro comunicacional.

Desconhecer esta realidade, simplesmente implica em embelezar a brutal e obscena imposta sobre a nossa região pelo imperialismo norte-americano, em primeiríssimo lugar, seguido dos seus próprios aliados.

Os chineses atuam na América Latina? Obviamente sim. Mas no fundamental em questões comerciais, até pagando taxas ao imperialismo norte-americano, seja pela imposição da compra de títulos públicos norte-americanos, na comercialização das matérias primas pelas bolsas mercantis e futuros, que são um componente fundamental da especulação financeira, e outros. Não há intervenção militar chinesa na América Latina; e se a há, como a base militar na Patagônia, é hiper secundária. 

Quem controla a América Latina a ferro e fogo e por meios militares é o imperialismo norte-americano.

Os russos atuam na América Latina? Sim. Mas tirando a atuação na Venezuela, Cuba e Nicarágua, que são países secundários, é relativamente pequena, comparada com o próprio Brasil por exemplo; nos demais países é quase nula.

Simplesmente por essas razões de índole concreta e prática, aparece na sua ampla dimensão a enorme importância da luta anti-imperialista e do internacionalismo classista e revolucionário entre os trabalhadores e povos latinoamericanos, para começar.

A capitulação e a degeneração da CSP-Conlutas parece ser total e absoluta.

Quem luta em prol dos trabalhadores não pode deixar passar algo tão grave como isso, principalmente se participa da CSP-Conlutas. 

No mínimo, deve denunciar esse escândalo e ainda tomar outras medidas práticas, em primeiro lugar para deslindar claramente os campos com esses traidores e inimigos dos trabalhadores dos povos brasileiro e latino-americanos. E em segundo lugar, com os campos claros avançar na organização da luta.

Essas burocracias corruptas irão nos perseguir? É bem provável. Nós fomos perseguidos que nem cachorros por causa do nosso trabalho orientado à organização da luta dos trabalhadores nos Correios, por exemplo, durante anos; todas as burocracias aliadas aos patrões e ao governo buscaram nos colocar numa situação quase de gueto em termos orgânicos. 

Agir com energia em prol dos trabalhadores tem esses efeitos colaterais. Mas submeter-se a essas burocracias corruptas, embelezar o imperialismo norte-americano ou camuflar a realidade representa um passo muito grave na direção do suicídio político, como lutadores classistas e revolucionários.

O primeiro passo que um revolucionário deve dar é caraterizar objetivamente a realidade concreta. 

A partir daí, elaborar a política que interessa aos trabalhadores. Sobre isso vem a flexibilidade tática, que pode ser muito flexível, mas nunca pode ir em contra dos interesses dos trabalhadores e dos povos oprimidos

A nossa política, sob o risco de convertê-la em puro oportunismo, não pode partir das conclusões políticas que nos interessam, para a partir delas camuflar a realidade.

A aprovação a toque de caixa do apoio ao governo neo-fascista ucraniano

A CSP-Conlutas participa da «campanha internacional em solidariedade a Ucrânia» (de fato é a solidariedade aos neo-fascistas de Kiev), que é impulsionada diretamente pelos Estados Unidos e a União Europeia. https://www.youtube.com/watch?v=3SeGpLgg5Is min. 26:00.

A campanha pela “solidariedade à Ucrânia”, que faz parte de uma campanha imperialista mundial, é uma das principais campanhas da CSP-Conlutas e foi a principal no V Congresso, de acordo com os principais porta-vozes da CSP-Conlutas https://www.youtube.com/watch?v=iKT7eO7zLgk&t=9889s min. 1:10:45.

Não por acaso, a primeira resolução do Congresso imposta a toque de caixa pela burocracia que controla a CSP-Conlutas foi a Aprovação da Solidariedade à Ucrânia, contra a invasão russa.

De fato, essa Resolução, que é a Análise de Conjuntura Internacional apresentada pelo PSTU e o MES (um dos setores mais direitistas do Psol), mas que coincide no fundamental com a da CST (do ex deputado federal e vereador pelo Rio de Janeiro Babá) e do MRT (a filial do PTS argentino), foi tratorada em cima do V Congresso. Juntos, esses grupos representavam mais de 70% do Congresso, pelo menos.

Depois do pelego direitista ucraniano ter falado, a Sra. Vera Lúcia Salgado, ex-candidata presidencial do PSTU, chegou a dizer que não era necessário entender o que acontece na Ucrânia, basta ser “solidário” [ao governo neofascista] e portanto havia que votar a favor desta Resolução.

Nenhuma das organizações que participaram do V Congresso da CSP-Conlutas se manifestaram publicamente ante tamanho ataque em contra dos trabalhadores e do povo, ante essa política pró-imperialista até a medula. 

Aparentemente, teria sido o “triunfo da democracia” sindical … do PSTU e seus satélites.

Para qualquer organização classista, nem digamos revolucionária, essa, digamos pelo menos, acomodação oportunista é absolutamente inaceitável.

Resoluções do V Congresso da CSP-Conlutas sobre a América Latina?

No V Congresso da CSP-Conlutas, sobre a América Latina foram ditas algumas coisas, no fundamental generalidades discursivas; participaram alguns representantes de delegações estrangeiras, mas a única resolução aprovada foi o apoio eleitoral à FIT-U (Frente de Esquerda Unificada) argentina, especificamente ao papel do PTS argentino, que, na prática, está cumprindo um papel muito ruim nas eleições deste ano, ainda pior que nas anteriores.

Para compensar a sua crise eleitoral nas Paso (as eleições primárias que aconteceram em agosto de 2023), onde tem apostado todas as fichas, agora a FIT-U chegou ao ponto de convocar uma manifestação sob a palavra de ordem «Abaixo o Ajuste e a Ofensiva de Milei e da direita».

O PTS tentou ir além e incluir o atual superministro da Economia e agente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Sérgio Massa, como um candidato «com matizes diferentes da direita».

O que está acontecendo na Argentina? Como está atuando a “mão de Deus”?

Na Argentina, está se repetindo a mesma política que o imperialismo norte-americano aplicou no Chile (o fascista Kast contra o “democrata” Boric), no Brasil (o fascista Bolsonaro contra os “democratas” Lula/ Alckmin) ou na Colômbia (o fascista Duque contra o «democrata» Gustavo Petro), com o “ultradireitista” Javier Milei (que é um homem dos super grandes fundos especulativos, do tipo Blackrock) contra o favorito do imperialismo e do FMI, Sérgio Massa, que está recebendo elogios por todos os canais da grande imprensa imperialista mundial.

Na Argentina, as Globo/Folha/Estadão locais (La Nación e El Clarín) torcem pela direita macrista, por Patrícia Bullrich. Mas dada a política do governo Biden, não torcem por Javier Milei, com absoluta certeza.

Da mesma maneira que a CSP-Conlutas capitulou à política do imperialismo para o Brasil nas últimas eleições presidenciais, apoiando um governo que hoje aparece em toda a sua dimensão burguesa e de agente do imperialismo norte-americano, agora apoia exatamente a mesmíssima política, que tem exatamente o mesmo pedigree (a mesma “mão de Deus”), na Argentina. 

Como se isso fosse pouco, o V Congresso da CSP-Conlutas, nada disse, e muito menos aprovou, sobre o que realmente devia ter dito.

Nem uma palavra sobre a verdadeira luta dos trabalhadores argentinos sobre quêm pairam perigos muito graves.

Nem uma única resolução sobre a luta do povo peruano, que já conta com mais de 70 mártires desde dezembro e que mesmo assim realizou a chamada Terceira Tomada de Lima na segunda quinzena de julho. Que as 700 organizações políticas e sociais que estão organizando o movimento nacional e que convocaram uma nova grande manifestação para o dia 12 de outubro. 

Nem uma única resolução sobre que o governo brasileiro Lula/ Alckmin vende armas ao governo genocida de Dina Boluarte e que a recebeu no Brasil recentemente com todas as honras de chefe de estado, sendo que há poucas semanas, o presidente direitista do Uruguai, Luis Lacalle Pou, e Alberto Fernández, o presidente argentino,  nem sequer tiveram a coragem de cumprimentá-la.

Nem uma única resolução sobre os 50 anos do genocida golpe militar no Chile, que aconteceu em 11 de setembro de 1973 e que foi o grande laboratório para impor na ponta das baionetas o chamado «neoliberalismo» em escala mundial.

Nem uma única palavra sobre a política do imperialismo no Equador, onde os Estados Unidos continuam mostrando que não estão para brincadeiras, apelando a assassinatos até de candidatos da direita para inculpar o correísmo, atentados com carros bombas e outras artimanhas para alavancar a direita decadente.

Nem uma única palavra sobre a Doutrina Monroe que completa 200 anos em dezembro, renovada pelos documentos de Santa Fé, publicados em 1988.

Nem uma única palavra sobre o nosso principal opressor, o imperialismo norte-americano, nem sequer para mencionar a brutal política denominada “Guerra ao Terror” que impôs sobre a América Latina e o mundo após o 11 de setembro de 2001, nos atentados teleguiados às Torres Gêmeas.

O problema principal para os trabalhadores brasileiros (e até latino-americanos) seria, segundo os malucos vendidos da CSP-Conlutas, não o imperialismo norte-americano, mas o “imperialismo” russo, o governo autocrático e direitista encabeçado por Vladimir Putin que rebola para sobreviver à pressão imperialista, e que tem uma influência perto de nula no Brasil e em quase toda a América Latina. A serviço de quem?  

A Rússia é uma potência militar de primeira ordem, mas com uma economia comparável à da Austrália, considerando a sua composição (principalmente matérias primas) e a produtividade per capita. Ou seja com uma capacidade de projeção imperialista mundial ínfima, o que a obriga até a impulsionar movimentos anti-neocoloniais para levar a guerra, de maneira defensiva (o que é o normal de uma potência regional) aos pontos fracos da retaguarda do imperialismo, com um controle desses movimentos muitíssimo menor do que os russos têm no Donbass ou nos países vizinhos. 

O regime que há na Rússia tem o potencial de converter-se num inimigo importante do povo brasileiro? Talvez, mas para poder dar esse salto precisaria derrotar o imperialismo, principalmente o imperialismo norte-americano, e muito além da Ucrânia, e ainda consolidar a sua aliança com a China, que hoje é contraditória em vários dos seus componentes, inclusive na relação Rússia-Índia. 

Esses “trotskistas” também deviam explicar onde estão os monopólios russos (deviam mencionar pelos menos um) que controlem uma parte mais ou menos importante dos setores centrais do mercado mundial.

Esses “trotskistas” “esqueceram” o que é o imperialismo, o que é uma potência regional, a própria entrevista de Trotski ao argentino Fiusa sobre qual seria a política se a “democrática” Inglaterra invadisse o Brasil do fascista Vargas etc. etc. 

E todos esses «esquecimentos» obviamente não têm nada a ver com problemas teóricos nem mesmo escolásticos. 

A «mão de Deus» parece estar mais presente do que imaginamos.

“Coitadinho” do velho Trotski!! Quanta sacanagem ultra oportunista feita no nome de alguém que morreu há mais de 80 anos! A sorte dele é que não está aqui para ver tamanha decadência política.

Em contrapartida, esses «esquecidos» «esquecem» que os Estados Unidos detêm 100 bases militares oficiais somente na América Latina, controlam o tráfego da cocaína, por meio da DEA e da CIA principalmente, e que com esses recursos extra-oficiais promovem todo tipo de ações de sabotagem, infiltração e desestabilização em prol da sua dominação. 

Esses «esquecidos» nada disseram sobre o discurso da general de quatro estrelas, a chefa do SouthCom, Laura Richardson, sobre as intenções do imperialismo norte-americano em relação à América Latina.

Por causa das conexões com a «mão de Deus», além da perda total do sentido da realidade objetiva e da luta de classes, com a luta pelo poder político como eixo, esses “trotskistas” «esquecidos» querem impor o debate “escolástico” (sexo dos anjos) sobre se além do imperialismo norte-americano haveria outros imperialismos na América Latina que atuem na mesma altura dos Estados Unidos.

Evidentemente, para quem controla as alavancas da CSP-Conlutas, não há sexo dos anjos nem equívocos. 

Há uma política muito bem direcionada para seus objetivo$$ e intere$e$ para a qual quanto mais puderem apresentar aos trabalhadores um imperialismo norte-americano “humanizado” melhor.

O Brasil seria controlado pelo “imperialismo”?

Dentre as discussões made in “sexo dos anjos”, sendo que olhando para os beneficiários não fica difícil ver a «mão de Deus», está a de que não seria possível discutir a opressão imperialista no Brasil porque haveriam divergências muito complexas (quase impossíveis) de serem resolvidas.

Haveria “camaradas” que apoiam a política do imperialismo na Ucrânia em contra do “imperialismo” russo.

Outros “camaradas” estariam mais perdidos que cegos em tiroteio, tanto assim que nem sequer conseguem enxergar se a principal potência imperialista que controla o quintal  traseiro dos Estados Unidos seriam eles próprios ou se haveriam outros imperialismos à altura (talvez deviam incluir até o Irã! para ir ainda além com esses devaneios).

E assim sucessivamente continuam os devaneios escolásticos.

É evidente que esses devaneios, objetivamente e independentemente das boas intenções, levam a um único lugar: a embelezar a brutal opressão, cada vez mais dura, exercida pelo imperialismo norte-americano sobre a América Latina, em primeiríssimo lugar. 

Nesta região, a competição que os Estados Unidos sofrem é muito baixa em comparação com a Ásia ou a África, onde o poder da China principalmente é crescente. É ainda menor da que sofre na Europa Ocidental, onde conseguiu submeter o imperialismo europeu com a guerra na Ucrânia, ou na Oceania, porque em ambos continentes há potências imperialistas, embora mais fracas que os Estados Unidos.

Na América Latina, predominam os capachos do imperialismo norte-americano e os lambe-botas dos capachos. 

No caso do Brasil, a submissão depois do escândalo do Banestado (recomendamos assistir a Série O Doleiro sobre este assunto) e mais recentemente com a Operação Lava Jato é quase absoluta.

Onde conduz uma avaliação “errada”?

No caso do PSTU, MES, CST, MRT e outros não se trata de um erro. Se trata de uma política cristalizada, amarrada a interesses materiais, totalmente a reboque do imperialismo.

Em alguns casos, há até o interesse material de continuar fazendo «entrismo» no Partido Trabalhista britânico por 50 anos mais. Temos aqui outro «desenvolvimento» do Trotski que tinha recomendado na década de 1930 o «entrismo» por dois ou três anos no máximo, nos partidos socialistas independentes, e com total independência, até a de ter o próprio jornal.

Em outros casos, se trata de defender os interesses eleitorais oportunistas nas eleições na Argentina deste ano.

O comum denominador parece ser a participação clara da «mão de Deus» em contra dos trabalhadores e dos povos oprimidos.

Esses “trotskistas” também teriam “desenvolvido” o finado Trotski a tal ponto que pedem armas ao imperialismo e à OTAN! para os neofascistas ucranianos, da mesma maneira que o PSTU, o MES e a CST já o fizeram em relação à Síria.

Também não vimos nenhuma campanha nem sequer menção no V Congresso da Conlutas sobre os 66 mil barris de petróleo que os Estados Unidos roubam hoje na Síria, somente do poço petrolífero de Hasaka, além de continuar invadindo 20% do país com a ameaça do bombardeio a partir da VI Frota estacionada no Golfo Pérsico, no Qatar.

A direção da CSP-Conlutas e os participantes deviam explicar o porque as invasões e agressões dos Estados Unidos e da OTAN, que são potências imperialistas muito agressivas e genocidas, seriam mais “corretas” que a agressão do “imperialismo” russo, quando se trata de saquear e arrebentar com os países neocoloniais para roubar seus recursos naturais e espoliar esses trabalhadores e povos usando o saque financeiro, tal como acontece na África, na América Latina ou na Palestina.

Agora, no caso dos grupos pequenos que se equivocam nestas avaliações, os que não têm interesses materiais a defender com as suas posições, a que moinho levam água? E por qual motivo o fazem?

Em parte, no caso dos pequenos grupos, pode tratar-se de confusão ou contágio de anos de métodos burocráticos, assim como do distanciamento do movimento de massas que, desde 2013, tem sido contido.

Em alguns poucos casos, até teses apresentadas no V Congresso da CSP-Conlutas, mesmo sobre a situação internacional, são razoavelmente acertadas, sob o ponto de vista dissertativo, ao nosso entender, mas vêm acompanhadas da acomodação prática ao status quo da política abertamente pró-imperialista da direção da CSP-Conlutas.

O mínimo que uma organização ou frente revolucionária devia fazer, principalmente tratando-se de grupos que participam da CSP-Conlutas, seria uma ampla denúncia, seguida de uma série de ações de repúdio, ainda mais se a intenção é continuar militando na CSP-Conlutas.

A acomodação só reforça a política reacionária da direção e, objetivamente, é uma política contrária aos interesses dos trabalhadores.

A clara delimitação dos campos é o ponto de partida para qualquer aliança em prol dos trabalhadores, até porque sem identificar claramente os inimigos, qual seria o sentido de qualquer aliança?

A CSP-Conlutas seria a central mais “anti-governista”?

Em primeiro lugar, devemos considerar que a “categoria” oportunista do “governismo”, pouco tem a ver com a categoria revolucionária (científica) do estado burguês.

Mesmo assim, considerando que a luta seria contra um determinado governo, a CSP-Conlutas se manteve totalmente paralisada durante o governo Bolsonaro e apoiou a eleição do governo burguês e marionete do imperialismo Lula/ Alckmin.

E ainda pior, encampou a campanha “governista” e abertamente pró-imperialista da “solidariedade com a Ucrânia”, ou seja, com o governo neofascista de Kiev, marionete do imperialismo.

Nessas condições, além das firulas, fica muito difícil definir essa Central como sendo mais “anti-governista” que as outras.

Vejamos alguns detalhes a mais.

A CSP-Conlutas seria de luta?

Em matéria de política internacional, a CSP-Conlutas é um verdadeiro desastre em relação aos interesses dos trabalhadores. Abertamente contrarrevolucionária e direcionada pelo PSTU e seus satélites. 

E não esquecer da categoria dialética da “totalidade”; está tudo integrado. Não é possível agir como um agente do imperialismo em política internacional e como um lutador social (nem digamos revolucionário) em política nacional.

Não é a primeira vez que acontece algo tão grave. Essa já é a política hegemônica cristalizada nesta central desde sempre; embora obviamente com o passar do tempo só tenha piorado.

A CSP-Conlutas, o PSTU e seus satélites têm feito intensas campanhas em contra da burocracia que governa Cuba, a bolibo-burguesia venezuelana e a ditadura nicaraguense, apesar dos três governos terem uma política em relação ao imperialismo muito mais independente que a dos demais países latino-americanos. E o pior, não o fizeram com a política dos trabalhadores e muito menos dos trabalhadores revolucionários, mas têm aplicado estritamente a política do imperialismo norte-americano com alguma maquiagem discursiva, muito leve.

Agora, além de terem desempenhado esse papelão pornográfico em prol da política do imperialismo na Ucrânia, que representa uma das questões centrais da política mundial neste momento, têm se dedicado a “denunciar” os movimentos anti-neocoloniais na África Ocidental.

Vejamos um pouco da atuação da CSP-Conlutas no Brasil.

Em 2013, a CSP-Conlutas ficou passeando no Brasil uma mulher do ESL (Exército Sírio Livre) controlado pelos Estados Unidos e a União Europeia, que lutava para derrubar Bachar al-Assad.

Um ano depois se embrenhou na campanha da direita do Fora Dilma!, o que evidentemente esteve relacionado com algo mai$ que simples erros de ultra-esquerdismo.

A atuação dos principais sindicatos da CSP-Conlutas têm sido perto de desastrosa, principalmente quando o PSTU ou o MES estão por perto.

O Sindicato dos Metroviários da Cidade de São Paulo, apesar de ter melhorado um pouco com a atual diretoria, foi cedido pelo PCdoB ao PSTU em 2008, numa “transação comercial”, em que o PSTU lhe entregou ao PCdoB/ CTB os dois principais sindicatos dos trabalhadores dos Correios, os de SP e RJ, que foram transformados no principal instrumento do controle e divisionismo dos trabalhadores ecetistas. 

O recorde que o PSTU conseguiu é o de não ter realizado uma única greve nos metroviários durante uma década, proeza que nem sequer os pelegos ultracorrompidos e «governistas» até a medula do PCdoB conseguiram. 

A «dúvida» que não pode calar: Teriam havido acordo$$ segredos com os governos do PSDB?! A CSP-Conlutas nunca achou nada estranho sobre isso?!

O papel da CSP-Conlutas nos Correios é um verdadeiro desastre para os trabalhadores. 

No Rio de Janeiro, mantém um acordo com os pelegos corruptos do PCdoB e a ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), e, portanto, com os vários governos de turno. Na Série Dossiê dos Pelegos, explicamos com bastante conhecimento de causa parte dessas manobra$$.

Nos petroleiros, a CSP-Conlutas, assim como todos os demais pelegos, ficaram brincando de sexo dos anjos enquanto a Petrobras tem sido esquartejada, após ter dividido a categoria criando uma federação a parte, da mesma maneira que o tentaram em todas as categorias importantes onde puderam. Idem na Eletrobras.

Nos Metalúrgicos de São José dos Campos, as traições são das maiores. Com ações que de tão pelegas só podem ser consideradas como folclore; como enfrentar as demissões de 1.500 trabalhadores na General Motors ocupando o pátio da Prefeitura, até em 2015, ter parado os ônibus da GM um quilômetro antes da entrada para obrigar os trabalhadores a andar atrás de um boneco gigante contra Dilma e Lula, no ápice da campanha da direita.

Durante o governo Temer, a direção da CSP-Conlutas se juntou com os demais pelegos mor para quebrar todas as greves e as protestas desde o final de 2017 e facilitar as privatizações e os ataques do Bolsonarismo.

Durante o governo Bolsonaro, o papel de toda a burocracia sindical (desde a Força Sindical, passando pelo PT e chegando na CSP-Conlutas) unida ao próprio governo Bolsonaro foi manter todas as lutas paralisadas enquanto o bolsonarismo fazia a festa. Por essa razão, foi que somente aconteceram duas únicas greves nacionais, realizada pelos trabalhadores dos Correios, com muito esforço, e enfrentando enorme sabotagem de toda a burocracia sindical e dos partidos políticos, incluindo a CSP-Conlutas.

Havia medo da cadeia por causa da Operação Lava Jato? OK; o havia e era generalizado. Mas se é para atuar como um agente objetivo do bolsonarismo, que era tão teleguiado pelo governo Trump como hoje o governo Biden teleguia o governo Lula/ Alckmin e seus satélites, não seria melhor deixar os sindicatos e ir para casa? Ou haveriam intere$e$ que não “podem” ser facilmente abandonados?

Tudo isso sem esquecermos do princípio fundamental do sindicalismo classista, e nem falar do sindicalismo revolucionário, que é lutar pela unidade dos trabalhadores.

Dividir os sindicatos e as centrais sindicais a quem beneficia? Não seria por acaso mais uma das políticas do conhecido “cada um no seu próprio feudo”, deixando os burocratas dos principais sindicatos falando sozinhos e, por coincidência, aproveitando a “coincidência” do dinheiro que jorrou dos ministérios para cada uma das centrais?

Obviamente, esses «trotskistas» não se esqueceram que dividir os sindicatos dos trabalhadores é um pecado mortal que um sindicalista classista e/ou revolucionário nunca poderia cometer. Mas os interesses materiais falam muito mais alto; principalmente, a grana que vem do estado burguês para as federações e centrais, além do «normal» balcão de negócios.

O PSTU e a CSP-Conlutas é especialista nessa política divisionista, apesar de ter feito inúmeros conchavos com os burocratas mais recalcitrantes das demais centrais e até ter apoiado ativamente a eleição de Lula/Alckmin o que está bastante esquisito para uma central que supostamente seria “anti-governista”. Não por acaso é um dos principais fomentadores, junto com quase todos os grupos do PSOL, a começar pelos defensores da Ucrânia dos neofascistas, do “identitarismo”.

Mas, como diria a burguesia, nada demais; são só negócios. Lula prometeu voltar com o Imposto Sindical e a Contribuição Sindical; esta já foi aprovada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Devemos participar das centrais sindicais?

Sem nenhuma dúvida, sim, mas com uma política que ajude a avançar a luta dos trabalhadores e dos povos oprimidos.

E não somente da Conlutas, mas de todas as centrais sindicais por mais pelegas que sejam.

O objetivo deve ser claro: elevar o nível dos trabalhadores e jamais nos acomodarmos para evitarmos problemas com as burocracias que tratam as organizações de massas (ou que deveriam ser de massas) como se a sua propriedade privada fossem.

Ao mesmo tempo, participar ou não das centrais não implica em deixar de participar dos sindicatos e muito menos deixar de realizar o trabalho de base, sendo que isto último é o mais importante.

A construção de uma frente classista e revolucionária é absolutamente incompatível com a capitulação em qualquer grau ao imperialismo, principalmente ao nosso principal opressor, o imperialismo norte-americano.

Podemos conhecer a realidade?

Por último, uma pergunta importante tratando-se de analisar esta ou qualquer situação política é se a realidade pode ser conhecida e a partir dela podem ser traçadas políticas.

Somos obrigados a voltar aos debates de 150 anos atrás, ou até antes, mas isso precisa ser claramente posto, para não cairmos no clericalismo.

Há uma visão na “esquerda”, principalmente nos setores mais influenciados pelo academicismo universitário, pelo identitarismo e pelo sindicalismo, de que tudo não passaria de uma questão de opiniões.

A realidade como tal não existiria. Seriam as consciências dos “iluminados” o que determinaria a realidade.

Na realidade, a política revolucionária implica no claro conhecimento da realidade objetiva, numa contínua aproximação, usando o método dialético como ferramenta de análise.

As coisas devem ser chamadas pelo seu nome, tal qual um grupo de médicos analisariam um paciente com câncer em estado terminal, por exemplo.

A partir da análise, se faz um diagnóstico e se estabelece um determinado tratamento, ou seja uma determinada política, que deve ser expressada em palavras de ordem e ainda provada na prática. Se houver erros, volta-se à prancheta buscando corrigi-los.

A esquerda clerical atual quer partir das conclusões, que normalmente correspondem aos seus interesses, para enquadrar a realidade às suas elucubrações.

Esse béaba do Socialismo Científico (vulgo marxismo) tem sido transformado em Sanscrito pelos pequenos grupos da esquerda no geral (nem falar da «esquerda» incorporada ao regime) sob forte pressão da burguesia em crise. 

Mas os verdadeiros revolucionários, que atuamos em prol da organização dos trabalhadores no sentido da revolução socialista mundial, não podemos cair nessa política oportunista …  nem tantinho assim, como diria o Che Guevara.

Uma vez estabelecido o diagnóstico e a política, é possível fazer concessões táticas, desde que elas permitam avançar na organização da luta. Há dois princípios estratégicos inegociáveis, a luta pela tomada do poder pelos trabalhadores e a organização da vanguarda revolucionária.

E nunca devemos perder de vista que o eixo da luta deve ser sempre político, mesmo quando ela for organizada a partir das lutas espontâneas ou das lutas concretas do movimento de massas.

Vamos em frente com as forças da História!

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