Uma reflexão sobre o 2023 e as nossas tarefas de propaganda

Uma reflexão sobre o 2023 e as nossas tarefas de propaganda

Temos a realidade objetiva como matéria prima de nossas ações. Esta luta é por todos nós, brasileiros, latinos, humanos!

Gabriela Gomes – Comité Abreu e Lima

Nós, revolucionários, somos movidos pela convicção da capacidade dos trabalhadores e das massas de pôr fim à opressão capitalista que é a base do sofrimento e mazelas às quais nossos povos são condenados diariamente.

No caso do Brasil e da América Latina as crescentes contradições do capitalismo são potencializadas pela brutal exploração imposta pela principal potência capitalista mundial – o imperialismo estadunidense.

O ano de 2023 nos trouxe lições valiosas, e nosso dever perante elas é mostrarmos nosso aprendizado na nossa prática revolucionária, através de nossa dedicação, compromisso e trabalho em prol dos ideais de liberdade e fim da exploração da Humanidade.


Ao mesmo tempo, estamos presenciando tempos de latente crise do imperialismo, fazemos parte desta história que deverá ser contada no futuro.

A Europa na sua maior crise desde a Segunda Guerra Mundial

O imperialismo enfrenta a sua maior crise estrutural, o que o impulsiona ao aumento da agressividade e militarização, até porque essa política é a sua única saída para a sua crise.

A Europa mostra sua decadência a cada dia; a Guerra da Ucrânia agora custa caro aos cofres bélicos. Zelensky visitou Washington para implorar o financiamento da guerra.

O primeiro-ministro da Hungria, Orban, tinha vetado tal financiamento ainda em dezembro de 2022 em oposição aos membros da OTAN.

A Europa está pagando o preço de submeter-se aos interesses dos Estados Unidos, que têm usado o desenvolvimento do complexo industrial militar como o principal instrumento para resgatar uma economia falida.

Sobre a sua crise, o movimento de massas na Europa atingiu o seu maior auge em quatro décadas. É o aprofundamento da crise capitalista que coloca as massas em movimento.

A luta do povo palestino coloca uma nova derrota histórica do imperialismo

O extermínio na Palestina, principalmente em Gaza, nos evidencia o caráter de inimigo mortal dos povos oprimidos do imperialismo.

A justa e heróica luta dos palestinos pelo seu direito à autodeterminação, quando pareciam condenados à derrota, voltou a nos lembrar da gloriosa epopeia do povo vietnamita, quando com a Ofensiva Tet, de janeiro de 1968, voltaram a pôr em pauta a sua causa gerando uma enorme ascensão de massas nos centros imperialistas e abrindo caminho a uma dura derrota do imperialismo.

Uma importante derrota do imperialismo e dos sionistas na Palestina, considerando a sua fraqueza estrutural, pode impulsionar o movimento de massas, que já entrou em movimento de oposição à crise capitalista em apoio ao povo palestino.

O levante de massas que tinha começado nos Estados Unidos em 2018 com o movimento de professores e que foi substanciado com as greves das montadoras, que incluíram trabalhadores do México e do Canadá, impulsionou os protestos na França, as revoltas populares na América Latina, principalmente no Chile, e a luta em contra da privatização da educação pública no México.

Esses movimentos foram contidos por meio da «pandemia».

Com o aprofundamento da crise capitalista mundial provocada pela guerra na Ucrânia, houve uma nova ascensão das massas nos países centrais, principalmente na Europa.

Os movimentos de solidariedade com o povo palestino voltaram a colocar o povo nas ruas com uma forte perda das ilusões no capitalismo e o imperialismo supostamente humanizado.

É a crise capitalista que coloca os trabalhadores e as massas em movimento.

O mundo inteiro se encontra à beira da abertura de um período pré-revolucionário, o que leva a novas tarefas na organização do movimento de massas.

O neocolonialismo na África está sofrendo importantes derrotas

Novos governos nacionalistas estão resgatando a sua soberania apoiados nos movimentos populares que buscam o desenvolvimento por meio da construção de relações econômicas e políticas com outros países que não têm as mãos sujas com o sangue dos povos africanos.

A Rússia está fornecendo armamentos e semeando acordos de infraestrutura com os povos que lutam pela sua emancipação, até como uma política para aliviar a forte pressão exercida pela OTAN (Organização do Atlântico Norte) e principalmente o principal inimigo comum – os Estados Unidos.

O acordar nacionalista dos povos africanos impacta as estruturas da dominação neocolonial e faz parte do enfraquecimento generalizado do imperialismo.

No eixo da disputa do mercado mundial: a guerra contra China

Agora, os Estados Unidos não precisam somente de seu enclave militar mais valioso – Israel, mas também se voltar ao Pacífico, aos seus antigos lacaios como é o caso de Taiwan, que vêm sendo munidos pelos aparatos bélicos do imperialismo estadunidense, o qual recentemente emitiu nota através do Departamento de Defesa dizendo que intensificarão os treinamentos militares em Taiwan.

Taiwan está em período eleitoral, e a disputa é para manter fincadas as suas garras, e assim garantir suas bases militares no Pacífico e impedir a unificação chinesa.

A China foi declarada pelos principais funcionários do aparato estatal dos Estados Unidos, como os principais inimigos na disputa pelo controle do mercado mundial.

No entanto, no desenvolvimento da maior crise capitalista da história e das contradições políticas, os principais inimigos do sistema capitalista de conjunto são os trabalhadores e os povos oprimidos em movimento revolucionário.

O posicionamento da Coréia do Norte faz parte dessa política.

O imperialismo estadunidense tem procurado escalar a agressão militar não somente contra a Rússia, mas principalmente a China, a qual o imperialismo teme por causa da disputa pelo mercado mundial.

A Coreia do Sul tem sido inundada de equipamentos com capacidade nuclear, além de ter instalado neste país os mísseis THAAD com capacidade de espionar a distâncias de até quatro mil quilômetros, o que coloca em risco cidades chinesas importantes, como a capital, Beijing.

A Coreia do Norte tem declarado publicamente que está pronta para a guerra, depois do sensível aumento da presença estadunidense na Coréia do Sul, com a realocação de instrumentos de guerra ofensiva, fundamentalmente nucleares.

O imperialismo continua avançando a sua «solução final», que é uma nova guerra mundial que só pode ser nuclear, devido à impossibilidade de voltar a impôr políticas estruturais de sobrevida ao capitalismo, como a que conseguiram impôr na década de 1980, o chamado «neoliberalismo».

O objetivo central é continuar controlando o mercado mundial, mantendo os trabalhadores e os povos do mundo sob controle a fim de se salvar da sua maior crise histórica.

O imperialismo está muito agressivo em Nuestra América!

Um navio de guerra britânico chegou às costas da Guiana em dezembro de 2023.

Está em El Salvador com sua ditadura nazista, que já dizem ser o laboratório de todo um projeto que será exportado para a América.

Está no Equador, no Peru, na Argentina com Milei sendo mais um lacaio e virando as costas aos Brics.

Está no Brasil com a Mossad, com as ONGs, com as operações militares estadunidenses que já acontecem em nosso território.

O Plano Condor 2.0 lançado na Conferência Cume de Segurança de setembro de 2022, realizada em Quito, Equador, impôs as novas pautas políticas para aumentar fortemente a repressão contra quem ousar enfrentar o crescente e brutal saque da nossa região.


Mas não nos enganaremos: o aumento da agressividade do imperialismo demonstra não a força, mas sim sua fraqueza!

É por isso que nosso compromisso com nossa luta é tão importante neste momento.

Como estamos nos comunicando com o povo? com as massas?

Muitos são nossos desafios, e por isso é hora de semearmos uma base unificada e sólida de trabalho.

É hora de trazermos à luz nosso centralismo democrático, hora de erguemos um núcleo aglutinador materializado na organização.

É só através de nosso exemplo, de nossa autocrítica revolucionária orientada aos resultados que interessam aos povos oprimidos, que superaremos os nossos desafios.

Na frente de comunicação, propaganda e agitação nós não podemos fraquejar. Não podemos encarar este trabalho como um passeio ao parque.

É hora de usarmos as armas que o imperialismo usa para manipular os povos de todo o mundo.

É hora de enxergarmos as redes sociais e todas nossas frentes como instrumento permanente de nossas denúncias, de nossa propaganda e agitação.

E por isso nosso trabalho se torna primordial e fundamental neste cenário que vivemos.

Enquanto fazem o desserviço, nós mostraremos nosso serviço.

Não nos desviarmos a nenhum pantano.

A vitória é certa, mas só pelas mãos do povo, e só por meio do nosso trabalho de orientação política que deve buscar fundir-se com o movimento de massas, com toda nossa honra, compromisso, disciplina, consciência, crítica, com todo nosso amor e paixão pelos nossos povos.

Isto é nosso combustível, isto é ser revolucionário.

Não recuaremos.

Se for preciso achar contatos em todas as cidades de nosso país, assim o faremos.

Se for preciso escrever textos, assim o faremos.

Se for preciso que usemos das dancinhas do Tiktok para mobilizar nosso povo – assim o faremos!

Pois não somos burocratas, não somos dogmáticos, não somos demagogos – somos materialistas dialéticos.

Temos métodos de luta claros, pois somos subordinados às leis da história.

Temos a realidade objetiva como matéria prima de nossas ações. Esta luta é por todos nós, brasileiros, latinos, humanos!

Propostas concretas

Aglutinar o núcleo organizado centralmente por meio de reuniões periódicas, de preferência semanais, em dias fixos, que tenham como objetivo desenvolver um trabalho revolucionário de maneira organizada e profissional, com o objetivo de solidificar nossa estrutura e torná-la permanente. 

As nossas discussões políticas, a deliberação de tarefas, tal como nossos temas de maior atenção e atuação devem nos fazer dar um salto organizativo em prol de irmos às massas.

Devemos usar todos os instrumentos para falar com os trabalhadores e o povo, como redes sociais, vídeos, podcasts, panfletos e outros.

Uma propaganda centralizada, um jornal centralizado funcionam como núcleo aglutinador de nossas tarefas, como nosso veículo que nos direciona às demais frentes e facilita o caminho para construirmos uma imprensa revolucionária e popular ao serviço dos trabalhadores e dos oprimidos.

As discussões políticas, aliadas a produção de textos e tarefas, expande nossa consciência política e também nosso trabalho como revolucionários.

Os grandes desafios devem ser encarados de frente e transformados em tarefas que se integrem e complementem, que todas estejam alinhadas.Nosso trabalho não é assistencialista, não somos demagogos e nem dogmáticos. Somos materialistas e trabalhamos com a realidade. Sendo assim, nosso compromisso com a realidade é nossa bússola.

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