A 60 anos da Ditadura (1964-1985)

A 60 anos da Ditadura (1964-1985)

A brutal repressão da Ditadura, com torturas generalizadas,  assassinatos e desaparecimentos políticos, tinha na base a paranoia gerada na burguesia imperialista e local com a Revolução Cubana de 1959. 

Hoje, no dia 1 de abril de 2024, fazem 60 anos do golpe de 1964 que fechou o regime político durante 21 anos e o impôs como o modelo para a América Latina, a mando do imperialismo norte-americano.

A “esquerda” oficial e uma boa parte da esquerda, além de usar como data o 31 de março, para não macular as forças armadas que evitam o Dia da Mentira, lançaram as palavras de ordem “Ditadura Nunca Mais” e outras similares.

Na realidade, apesar do “teatro de operações” montado para fazer aparecer as forças repressivas como democráticas e até anti-bolsonaristas, hoje vivemos sob uma ditadura cívico-militar muito parecida com a dos governos dos generais Castelo Branco e Costa e Silva.

Não somente o processo iniciado em 2013 e consolidado com as eleições de 2018 pode ser considerado como golpista, mas foi imposta uma ditadura tão agressiva como a Ditadura Militar anterior, e ainda muito mais entreguista.

Hoje o governo Lula-Alckmin, apesar da “carinha democrática” proporcionada por Lula, mantém em pé todos os ataques fundamentais ao povo brasileiro impostos pelo governo Bolsonaro, levando-os ainda além.

Este governo proibiu qualquer menção ao golpe de 1 de abril de 1964.

Não por acaso, este governo bateu o recorde de déficit fiscal no ano passado, e voltou a batê-lo em fevereiro de 2024, por conta de ter aceitado todas as inúmeras pedaladas de Bolsonaro que levou a eleger um grande número de parlamentares e governadores de direita e extrema direita, sem questionar absolutamente nada e muito menos sem sequer insinuar uma convocação à mobilização popular. Por muito menos, a presidente Dilma recebeu o impeachment em 2016.

A Ditadura e o nacionalismo

A Ditadura de 1964-1985 liquidou o período dos governos nacionalistas que tinham sido inaugurados com os governos de Getúlio Vargas após a Revolução de 1930. Também liquidou a política oportunista do grande partido “comunista” de massas, satélite da burocracia soviética, o PCB (Partido Comunista Brasileiro), que junto com o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) exerciam um enorme freio para o avanço das lutas dos trabalhadores.

A política encabeçada pelo economista “neoliberal» de Roberto Campos foi imposta sob a ponta das baionetas já no governo de Castelo Branco (1964-1967).

A Ditadura acabou com várias políticas nacionalistas tanto na indústria como no campo. 

Acabaram com a nacionalização das refinarias da Petrobras e indústrias tão importantes como a Fábrica Nacional de Motores ou o setor de autopeças. 

No campo, a reforma agrária foi mudada para terras improdutivas. Além de proibir a atividade de massas, ter proibido os partidos políticos e ter transformado os sindicatos em cartórios, a Ditadura liquidou com a estabilidade no emprego que foi substituída pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

O entreguismo foi ainda maior no período mais repressivo da Ditadura, o governo de Medici (1969-1974). Mas apesar disso, no Brasil, a diferença das demais ditaduras impostas pelo imperialismo norte-americano na América Latina, realizaram grandes obras, embora que a um custo social gigantesco e endividando o Brasil como nunca antes.

Com o governo Geisel (1974-1979), começou um governo nacionalista aguado, como parte da “apertura gradual e segura”, mas que manteve no fundamental tudo o que tinha sido imposto na ponta das baionetas nos governos anteriores.

A Ditadura começou com uma dívida externa de US$4 bilhões e terminou com um endividamento de quase US$60 bilhões.

A maior parte das empresas nacionais somente conseguiu sobreviver se submetendo aos monopólios imperialistas. Alguns setores foram controlados diretamente pelos monopólios, como o setor dos laboratórios.

Os atropelos ontem e hoje

A “esquerda” oficial confunde a existência de algumas liberdades democráticas com “democracia” em abstrato porque a sua razão de existir é o atrelamento a cargos e benefícios do estado e dos patrões.

A brutal repressão da Ditadura, com torturas generalizadas,  assassinatos e desaparecimentos políticos, tinha na base a paranoia gerada na burguesia imperialista e local com a Revolução Cubana de 1959. 

Havia um grande temor de que as tendências revolucionárias estourassem no maior país do SubContinente e que as políticas de contenção dos governos nacionalistas não fossem suficientes.

Não devemos nos esquecer das greves dos marinheiros e cabos que se reuniam no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, que exerciam na burguesia o mesmo estupor da Revolta da Chibata de 1910.

O imperialismo norte-americano tinha conseguido estabilizar a Europa e o Japão, após a Segunda Guerra Mundial, e agora tentava controlar a ferro e fogo os países neocoloniais, apesar de algumas políticas que no geral não passavam de demagogia, como a Aliança para o Progresso.

A política entreguista de hoje é ainda pior que a de 1964-1985 por causa do aprofundamento da crise capitalista mundial e o aumento da pressão da burguesia imperialista para salvar os lucros. Os ataques sobre os trabalhadores e as massas são muito piores.

A brutalidade do regime aparece semi disfarçada já que os assassinatos generalizados acontecem mais no campo e nos bairros da periferia. 

Mas o arcabouço jurídico que está sendo colocado em pé, assim como a preparação das forças repressivas, principalmente depois do estouro do levante popular em Chile em 2019 é digno de fazer inveja aos próprios Garrastazu Médici, Pinochet e Hitler.

Ditadura Militar nunca mais?

Essa palavra de ordem levantada pela “esquerda” oficial, hoje totalmente integrada ao governo Bolsonaro, que resume todo o regime político, esconde que a Ditadura Militar voltou pelo menos desde 2018.

A eleição de Jair Bolsonaro e do Bolsonarismo em todo Brasil teve por detrás a ativa participação dos generais, da Operação Lava Jato, do STF (Supremo Tribunal Federal), dos grandes empresários e da Embaixada dos Estados Unidos.

No governo Bolsonaro participaram mais de 12 mil altos oficiais das forças repressivas, o que representa um número ainda maior que na época de Garrastazu Médici.

As trocas de ministros e altos mandos das forças armadas foram apresentadas pela propaganda oficial, e reproduzida pela “esquerda” oficiais, como se tratassem de contradições dos generais com Bolsonaro. Na realidade, se trata de um “teatro de operações” para acelerar o papel do Partido Militar como o árbitro do conjunto do regime político, a mando do imperialismo norte-americano.

O que fazer para “evitar novas ditaduras”?

A “esquerda” oficial levanta como política a defesa da “democracia” em abstrato, como se o atual regime político tivesse algo além de um leve (muito leve) verniz de liberdades democráticas.

Os verdadeiros democratas e anti-imperialistas devem entender que o desenvolvimento democrático do Brasil passa pela ruptura com o imperialismo e a realização de uma revolução agrária, em primeiro lugar.

A burguesia de conjunto se tornou golpista e se encontra totalmente controlada pelo imperialismo por toda uma série de controles.

Setores nacionalistas burgueses poderão surgir, mas os atuais fazem parte do setor moribundo que se formou sob a pressão da década de 1980 e que agora se encontra em fase de declínio total.

Para libertar o Brasil e a América Latina das garras do imperialismo, se faz necessário levantar as bandeiras de luta capazes de agrupar os verdadeiros lutadores e de dar uma saída revolucionária para a crise.

Nós, os marxistas revolucionários, devemos ser os militantes da linha de frente desse programa e nos preparar com muita seriedade para o inevitável enfrentamento aberto entre os trabalhadores e a burguesia colocado para o próximo período.

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