Importante greve dos trabalhadores metalúrgicos na Renault Brasil

Importante greve dos trabalhadores metalúrgicos na Renault Brasil

São José dos Pinhais, Brasil – A tensão explode no Complexo Industrial Ayrton Senna, onde cerca de 5.000 trabalhadores da Renault se recusam a desistir, mesmo diante de uma brutal repressão policial e das manobras traiçoeiras da burocracia sindical

Cerca de 5.000 trabalhadores da Renault no Complexo Industrial Ayrton Senna (CAS) em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, Brasil, continuam sua luta desafiando as tentativas da burocracia sindical de pôr fim ao movimento com uma derrota.

A greve durou 20 dias e enfrentou até repressão policial. 

O movimento terminou com o sindicato concordando em reintegrar alguns dos 747 trabalhadores demitidos com a condição de que outros renunciassem a seus empregos por meio de um Plano de Demissão Voluntária.

Os trabalhadores votaram por uma nova greve de 24 horas em 11 de junho, apenas uma semana após o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) encerrar uma greve de 29 dias. Na ocasião, o presidente do SMC, Sérgio Butka, afirmou que o fim da greve era “um voto de confiança dos trabalhadores na empresa”, que “se comprometeu a apresentar uma nova proposta em 72 horas”.

A principal demanda dos trabalhadores é a contratação de 300 funcionários para manter o intenso ritmo da linha de produção. Durante a greve, a empresa ofereceu contratar 50 trabalhadores e, após a suspensão da greve, ofereceu contratar 70, mas isso foi novamente rejeitado por uma assembleia massiva, resultando em uma nova greve na fábrica.

Os trabalhadores demonstraram insatisfação e raiva com as condições na empresa durante a greve, rejeitando três vezes consecutivas a proposta da empresa. Além da contratação, o movimento também demanda R$ 30.000 em participação nos lucros (PL) e um aumento salarial de 6,8 por cento, em comparação com os R$ 25.000 de PL e pouco mais de 4 por cento de aumento salarial oferecido pela Renault.

Com uma produção diária de cerca de 800 veículos, a planta deixou de produzir mais de 15 mil veículos durante a greve. O movimento também afetou a planta de motores Horse no mesmo complexo da Renault, que conta com cerca de 600 trabalhadores produzindo 900 motores diários.

Para pressionar os trabalhadores a retornarem ao trabalho, Renault/Horse cortou seus salários e contou com o apoio da justiça para declarar a greve ilegal, que, como costuma fazer, ordenou um retorno imediato ao trabalho, impondo uma multa diária de R$ 30.000 ao sindicato se não cumprisse a decisão. Como a greve continuou, a justiça aumentou a multa para R$ 100.000.

A suspensão desta multa foi a grande “vitória” do sindicato. Ao finalizar a greve de 29 dias, o SMC afirmou que a empresa “aceitou a proposta de suspender a ordem judicial contra o movimento de greve”.

As condições de superexploração dos trabalhadores

O papel desempenhado por Butka e o SMC foi exposto em uma declaração do presidente da Renault no Brasil em dezembro do ano passado, quando a empresa anunciou investimentos de R$ 2 bilhões na planta para a produção de um C-SUV “completamente novo” com motor híbrido: “para este ciclo de investimento, as condições concedidas pelo estado do Paraná e o atual acordo coletivo com o Sindicato dos Metalúrgicos da Região Metropolitana de Curitiba (SMC).

A planta da Renault em São José dos Pinhais conta atualmente com cerca de 5.000 trabalhadores, dos quais 3.500 são pessoal de produção e 1.500 são pessoal de gestão. São 2.000 trabalhadores a menos do que em 2020, quando uma greve paralisou a planta.

Naquele momento, os trabalhadores estavam se mobilizando contra uma demissão em massa por parte da empresa. Os trabalhadores estão adoecendo devido à intensidade da linha de produção. Na “pandemia”, a empresa tentou “descartar” funcionários com doenças ou lesões adquiridas no trabalho.

A condição atual de uma força de trabalho reduzida e sobrecarregada é resultado de uma série de derrotas lideradas pelo sindicato, cujo presidente, Sérgio Butka, se revelou nos últimos anos um jogador essencial para os interesses capitalistas na região.

O trabalho excessivo na linha de produção tem causado doenças sistemáticas nos trabalhadores. Segundo dados do sindicato publicados no site da Assembleia Legislativa do Paraná, mil trabalhadores estão atualmente de licença na fábrica devido a lesões por esforço repetitivo.

O tempo de trabalho dos trabalhadores na linha de produção é de 95 por cento, tendo apenas 5 por cento de tempo para recuperar suas forças. Os trabalhadores não podem abandonar a linha de produção nem para ir ao banheiro; muitas vezes, os trabalhadores têm que esperar até 40 minutos para usar o banheiro.

Diferentemente da propaganda oficial, os trabalhadores metalúrgicos continuam na luta, embora com o sabotagem das burocracias sindicais corruptas e a repressão patronal, enfrentando muitas dificuldades para se organizar.

A saída só pode estar, como já aconteceu em outras ocasiões, na reorganização da luta pela base, rumo à construção de um novo movimento sindical classista e de luta, que vá no sentido da construção de um verdadeiro partido revolucionário de trabalhadores.

COMPARTIR:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Deja un comentario

Plataforma Latino Americana