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PR: Governo vende-pátria entrega refinaria de xisto à empresa canadense acusada de espionagem contra Petrobras

PR: Governo vende-pátria entrega refinaria de xisto à empresa canadense acusada de espionagem contra Petrobras

PETROBRAS PAGA PARA ENTREGAR INDÚSTRIA E TECNOLOGIA NACIONAL AOS IMPERIALISTAS, UM BANCO CANADENSE PROMOVEU ESPIONAGEM INDUSTRIAL CONTRA A PETROBRAS E AINDA ASSIM CONTINUA ENVOLVIDA EM CONTRATOS COM A PETROBRAS

Matéria original no site A Nova Democracia. Aqui somente republicamos seu material.

No dia 4 de novembro foi concluída a venda da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), localizada em São Mateus do Sul, Paraná, para o banco canadense Forbes & Manhattan (F&M). Junto à venda da SIX, também está a PetroSIX, tecnologia desenvolvida pela Petrobras para extrair óleo combustível de rochas de folhelho betuminoso, chamado de xisto betuminoso, da Formação Irati, uma formação geológica da Bacia do Paraná. A unidade de industrialização de xisto, ademais da tecnologia utilizada, eram de propriedade da Petrobras até então.

O contrato para a venda da unidade foi assinado em 2021 pela Petrobrás, sob a presidência do general da reserva do Exército Joaquim Silva e Luna e foi efetivado sob a presidência de Caio Mário Paes de Andrade, empresário e membro da equipe econômica do banqueiro e ex-ministro da economia Paulo Guedes, que foi nomeado para o cargo máximo da estatal de combustíveis pelo presidente vende-pátria Bolsonaro. 

BANCO CANADENSE TEM LIGAÇÃO DIRETA COM OS MILITARES

Com investimentos bilionários no Brasil, a F&M é dona da mineradora Belo Sun, que há mais de dez anos tenta construir a maior mina de ouro a céu aberto do mundo na Volta Grande do Xingu (Pará). Para tal, o monopólio imperialista estreitou ligações com membros das Forças Armadas reacionárias no executivo, incluindo o atual vice-presidente da República e general da reserva do exército Hamilton Mourão, com quem tratou diretamente, em reuniões exclusivas em Brasília. Há anos, o banco canadense tenta liberar os licenciamentos ambientais de mineradoras ligadas a ele, no Amazonas e no Pará. Desde sua proposição, camponeses e indígenas têm lutado incansavelmente contra a implantação da mineração.

A IMPORTÂNCIA DA SIX E A PETROSIX

O parque tecnológico da SIX, vendido à F&M, é o maior da América Latina e um dos maiores do mundo em plantas-piloto, composto por 15 unidades criadas para atender as necessidades dos variados processos de refino.

De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a unidade SIX produz óleo combustível, nafta, gás combustível, gás liquefeito e enxofre, além de produtos que podem ser utilizados nas indústrias de asfalto, cimenteira, agrícola e de cerâmica. Além disso, a SIX também funciona como um centro avançado de pesquisa na área de refino, onde são desenvolvidos vários projetos em conjunto com o Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes) e universidades.

A principal característica da tecnologia PetroSIX é a sua simplicidade operacional, além de ser considerada menos agressiva para o meio ambiente. Ela é tida por especialistas como fundamental para a preservação do Aquífero Guarani. Com uma extensão de 1,2 milhão de km², o Aquífero é considerado o maior reservatório transfronteiriço da América do Sul, situado entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

PETROBRAS PAGA PARA ENTREGAR INDÚSTRIA E TECNOLOGIA NACIONAL AOS IMPERIALISTAS

A PetroSIX foi vendida junto com a SIX por 41,6 milhões de dólares, cerca de R$ 210 milhões. O valor é pouco superior ao lucro registrado pela SIX no último ano (cerca de R$ 200 milhões), segundo dados divulgados pela FUP. O acordo assinado define, também, a futura “celebração de acordo de arrendamento” do parque tecnológico da SIX (que é desenvolvido desde 1970). Ou seja, a Petrobras pagará pelo uso dos laboratórios desenvolvidos do zero por ela mesma.

BANCO CANADENSE PROMOVEU ESPIONAGEM INDUSTRIAL CONTRA A PETROBRAS

O banco canadense se mostrou interessado na PetroSIX pela primeira vez em 2007. Cinco anos depois, em setembro de 2012, o banco canadense F&M fez uma proposta à Petrobras de venda da tecnologia PetroSIX em um “projeto de internacionalização”. No mesmo ano, uma comissão interna de apuração da Petrobras investigou um possível vazamento de informações sigilosas para a F&M

Isso ocorreu através do acesso aos computadores da SIX por um “colaborador” de empresa ligada à F&M, após ex-empregados da SIX/Petrobras que eram responsáveis pelas patentes tecnológicas serem contratados como consultores do grupo canadense. A denúncia da espionagem da tecnologia desenvolvida no Brasil foi exposta pela revista Carta Capital, que afirmou que “os gringos passaram a contratar engenheiros aposentados da SIX que atuaram no desenvolvimento e pesquisa do processo PetroSIX. […] A missão dos engenheiros era conseguir registrar a patente do processo PetroSIX que o grupo tentava negociar junto à Petrobras há algum tempo, mas não conseguia”.

Ao fim dos trabalhos, a comissão de investigação do vazamento avaliou “como desaconselháveis futuros contratos com a empresa F&M e qualquer empresa a ela vinculada direta ou indiretamente”. Dez anos depois, a Petrobras não somente prosseguiu nos contratos com a empresa como vendeu a preço de banana o parque industrial e a tecnologia.

EXPLORAÇÃO DO XISTO NO LITORAL PARANAENSE

Desde 2011, o grupo canadense tenta extrair milhões de toneladas de xisto do litoral paranaense por meio de uma de suas subsidiárias, a mineradora Irati Energia. A empresa tem direitos minerários sobre uma área de mais de 3 mil km² entre a costa do Paraná e a de Santa Catarina, muito próxima à SIX. A Irati Energia utiliza uma tecnologia chamada de fracking para a extração, que afeta ostensivamente o meio ambiente ao redor. 

Uma das filiais da mineradora está no município de Papanduva (SC). Em 2019, o prefeito Luiz Henrique Saliba denunciou a F&M e a Irati Energia por atuarem de modo “meramente especulativo”, e “sem prestar os devidos esclarecimentos”, desde 2013. Afirma, ainda, que as empresas “não fizeram previamente a exposição detalhada à população diretamente afetada”, e repudiou a “possibilidade da instalação forçada” do projeto, “inclusive através da possível judicialização para tomada” de terras em Papanduva.

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