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O que podemos esperar do governo Lula?

O que podemos esperar do governo Lula?

Victoria Nuland se encontra com Lula ao invés de se encontrar com o presidente do Brasil. Blinken pressiona Bolsonaro a aceitar os resultados. Todos contentes pela "virada a esquerda do continente" e especificamente os EUA. Bora entender esse dilema

Para avaliar o governo Lula, é preciso determinar o que compõe o governo Lula dentro do regime político geral.

Lula/ Alckmin foram o candidatos oficiais do governo Biden e dos mesmos golpistas que mandaram Lula à cadeia em 2017, Rede Globo, Febraban (Federação dos Bancos), Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e quase toda a direita, que junto com o PT e setores outros setores da chamada “esquerda”, hoje totalmente integrada ao regime, compõem a “frente ampla”.

A vitória no segundo turno não só aconteceu de maneira muito apertada, mas após o Bolsonarismo ter dominado as duas câmaras no Congresso e os três principais estados da Federação, além de ainda contar com um protofascismo nas ruas em estado um pouco mais que latente, que pode ser acionado a qualquer momento.

Lula, portanto, representa a cara “democrática” do regime político, que de conjunto é o mais reacionário desde a Ditadura Militar.

O próprio Lula é um prisioneiro, um componente ou instrumento, do novo regime político mais endurecido, preparando-se para o inevitável levante de massas sob a crescente pressão da crise capitalista.

O objetivo dos verdadeiros donos do Brasil, os Estados Unidos, é manter o país e toda a América Latina pacificados enquanto avança na sua política guerrerista como a “saída” para a sua maior crise histórica.

O primeiro discurso de Lula

Na noite do domingo 30 de outubro, no primeiro pronunciamento oficial, Lula leu um discurso cuidadosamente preparado para fugir de tudo o que são os problemas fundamentais do Brasil.

A defesa da democracia em abstrato, oculta as leis ultra reacionárias que estão passando no Congresso, dinamitando a Constituição de 1988.

A luta contra a fome só não vira palavras ocas ao manter todas as truculentas imposições do imperialismo), porque a situação da maioria do povo brasileiro é tão ruim que com muito pouco (muitíssimo pouco) nos governos do PT foram tiradas 16 milhões de pessoas da pobreza extrema, enquanto os banqueiros lucraram como nunca na história.

O desenvolvimento sustentável com inclusão social é inatingível enquanto for mantido o obsceno rentismo, o parasitismo financeiro, a ultra corrupta e nunca auditada dívida pública e as “privatizações”, que mais deviam ser chamadas de doações e que entregaram uma boa parte do patrimônio brasileiro a troco de nada.

A destruição do Brasil pela Operação Lava Jato, de mais de um milhão de empregos e de uma boa parte das grandes empresas nacionais nem sequer é mencionada. Isso no português corrente se chama “rabo preso”.

A luta contra o racismo, os preconceitos e a discriminação não passa de palavras vazias se nada é falado sobre as políticas para melhorar substancialmente as condições de vida dos trabalhadores e do povo, o que só poderia ser feito em contra dos interesses dos abutres capitalistas, principalmente dos estrangeiros.

A defesa da Amazônia com “ajuda internacional” equivale a defender que as potências imperialistas devem entrar no Brasil agora para controlar diretamente parte do seu território.

O comércio internacional justo não passa de palavras vazias sem dizer uma única palavra sobre os ataques e guerra declarada imposta pelo imperialismo norte-americano contra Rússia, China e Europa, e na realidade contra todo o mundo.

Da demagogia à vida dura

Demagogia a parte, Lula deve nomear a seu ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles como ministro da Fazenda.

Meirelles é ligado ao mercado financeiro e deverá manter a mesma política de Chicago boy Paulo Guedes. A política econômica seguida a partir de 2016, no governo Temer em diante, foi traçada pelo próprio Meirelles.

As margens de manobra de Lula são pequenas, muito menores do que foram nos seus dois governos.

Os dez partidos políticos que compuseram a sua base aliada não passam de 130 deputados, muito longe do total de 526. Por essa razão, o novo governo Lula /Alckmin é obrigado a aproximar políticos que formavam parte da base do Bolsonarismo. Isso custa dinheiro.

Temos em vista uma reedição, provavelmente oficial, do Mensalão, cujo escândalo que estourou em 2005, teve como principal objetivo impor a derrota do PT nas eleições de 2006 ou pelo menos a incorporação do PMDB ao governo que surgiria. Aconteceu isto último.

Os governos Temer e Bolsonaro foram impostos pelo imperialismo norte-americano com o objetivo de aumentar o saque do Brasil.

https://gazetarevolucionaria.net.br/26-pontos-da-fraude-que-levaram-a-vitoria-do-bolsonarismo-em-2018/

A política de terra arrasada foi minimizada pelas últimas manobras eleitorais de Bolsonaro e que deixarão um enorme rombo nas contas públicas, que se calcula em torno aos R$ 400 bilhões: Auxílio Brasil, redução dos preços da gasolina e do ICMS.

Na dura realidade brasileira há um desemprego real galopante. A miséria voltou aos níveis de 40 anos atrás. Há mais de 30 milhões de pessoas que passam fome e outras 110 milhões de pessoas se encontram em níveis de subsistência mínimos. Mais de 75% das famílias estão endividadas.

O rabo preso de Lula com o imperialismo norte-americano é muito evidente. Desde o encontro com a organizadora do golpe do Maidan, em 2014 na Ucrânia, no passado mês de abril. Victoria Nuland, a subsecretária do Departamento de Estado, ao invés de se encontrar com o presidente Bolsonaro se encontrou com Lula. As vindas ao Brasil do secretário de Estado, Blinken, e do chefe da CIA, Burns, para pressionar a Bolsonaro para que aceitara os resultados das “confiáveis” urnas eletrônicas. O reconhecimento da vitória de Lula por Joe Biden, apenas 40 minutos após a declaração do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ainda resta ver de onde o novo governo Lula, já no início, irá tirar recursos para manter a sugação de sangue do imperialismo norte-americano, os R$ 70 bilhões que precisa para manter o Auxilio Brasil em R$ 699, mais os R$ 150 por criança até os seis anos de idade. Os recursos para compor um “governo de reconciliação nacional” com setores do Bolsonarismo e para manobrar em contra dos R$ 8 bilhões que ainda restam do orçamento secreto do Congresso.

A política do imperialismo norte-americano e seus aliados ricaços locais é nos sugar até a última gota de sangue porque precisa estabilizar a queda dos lucros das suas empresas.

Essa pressão deve provocar a piora das condições de vida dos trabalhadores  e do povo em geral. Essa é a base do inevitável ascenso de massas.

Para contê-lo a burguesia contra com o aumento da repressão e o Bolsonarismo para disputar o espaço das ruas.

O nosso papel como verdadeiros revolucionários é dar a nossa contribuição para organizar as lutas que virão, buscando agrupá-las e direcioná-las para a disputa do poder político.

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1 comentario en «O que podemos esperar do governo Lula?»

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